domingo, 19 de fevereiro de 2017

"O encontro"

    E aqui vai o conto deste fim de semana. O próximo acho que será publicado em algum dia da semana, mas nao se preocupem, estará ali para que o curtam!...



                                                             O ENCONTRO



    Eram quatro esquinas. Em uma tinha um restaurante chinês. Na outra um prédio público. Na terceira um mercado e na quarta um restaurante de comida peruana... Gente apressada, séria, alguns com seus uniformes do escritório, outros levando sacolas, caixas, carrinhos. Alguns aproveitando o fim da tarde para uma cervejinha com os colegas, ou para fazer compras de última hora. Os motoristas de ônibus e carros, impacientes, buzinando como se o mundo fosse acabar, achando que o cara na sua frente estava se divertindo naquele taco e nao queria avancar para ir logo pra casa. As pessoas se esquivando na calcada lotada, parecendo um río revolto e barulhento: o caos da cidade numa sexta-feira às seis da tarde.
    E de pronto, desde uma das esquinas, um homem soltou um grito e comecou a adejar com os bracos.
 -Coruja!... Coruja!- gritava, fazendo com que alguns transeúntes virassem brevemente a cabeca para olhá-lo com curiosidade e desconcerto.
    E na esquina oposta, um outro sujeito, com um chapéu de feltro, jaquetinha curta e botas, levantou de uma mesa que estava na calcada, diante de uma lanchonete, e também gritou:
    -Pataco!... Aquí, Pataco!...- e tirou o chapéu, comecando a mexê-lo pra cá y pra lá, quase acertando os que passavam, que, fazendo cara féia, o esquivavam.
    Entao, da terceira esquina, saindo do restaurante peruano, apareceu um outro homem, gordo e de grandes bigodes cinzentos, que olhou para o outro lado, fez uma cara de alegre surpresa e, abrindo os bracos, comecou a correr em direcao da calcada da frente gritando:
    -Pataco!... Coruja!... Rapazes, mas o que estao fazendo por aqui?- e atravessou a rua, rindo estrondosamente, ao mesmo tempo que os outros dois o faziam.
    Encontraram-se na quarta esquina, onde bem nesse instante saia do mercado um senhor de cabelos grisalhos carregando um monte de sacolas. Ao esbarrar com eles parou bruscamente, assim como os outros três. Se entreolharam, abrindo idênticos sorrisos de sincera alegría e emocao, meio incrêdulos, e finalmente se aproximaram para se abracarem efusivamente.
    -Mas, como é possível, rapaziada?... Quando chegaram na cidade?...
    -Eu cheguei ontem e vim ver as novidades.
    -Eu trouxe a minha sogra, que tinha médico.
    -Eu vim comprar uma dessas porcarias tecnológicas pro meu neto... Vocês sabem que hoje em día essa garotada só gosta dessas coisas...
    E diante desta tremenda casualidade, os quatro decidiram que tinham que comemorar e foram almocar juntos. Pois coincidências feito esta entre amigos que moram longe nao acontecem todo día.
    

Nenhum comentário:

Postar um comentário