domingo, 20 de março de 2016

"Negócios sao negócios"

    E aqui está o conto da semana,  o que a  minha sacolejada inspiracao me permitiu redigir... Mas logo vai melhorar, nao se preocupem!.



                                          NEGÓCIOS SAO NEGÓCIOS


    Todos na ponte e os arredores do grande mercado têm um rubro estabelecido de comércio: vendem comida, pilhas, brinquedos ou roupa, que ajeitam o melhor que podem sobre uns panos no chao e anunciam de forma criativa aos transeuntes que passam apressados à caminho do mercado. Nem sempre têm um bom dia, mas nao se rendem e todo dia retornam com as suas mercadorias, quase nunca de fontes muito legais. Talvez por isso as pessoas sao meio arredias para comprar deles, pois a receptacao de artigos roubados é um delito grave e ninguém quer correr o risco, já que, mesmo que nao soubessem que as coisas eram roubadas, sao igualmente punidos... Cada vendedor tem  seu território e a sua via de fuga já definidos, caso apareca a polícia, porque ali ninguém paga alvará para exercer seu negócio. Mas ninguém briga e fazem questao de uma lealdade mutua que em mais de uma ocasiao os salvou de ir para cadeia.
    Mas isso é absolutamente irrelevante para a Gertrudis. Ela nao tem um ponto fixo e nem mercadoria definida. Um dia está vendendo coentro e no seguinte band-aid, cenouras murchas ou aipo fibroso. Todo fim de semana arruma alguma coisa e, esparramando-a no chao meio sem jeito, senta a sua generosa humanidade no murinho do estacionamento e comeca a anunciá-la com seu vozeirao potente e alegre, o que faz com que as pessoas se virem para ela e até se aproximem para comprar alguma coisa. O que vende nunca é muito bom, quem sabe como e onde o consegue, mas a Gertru está sempre alí, lutando,  tentanto, sorrindo. Para ela, o que conseguir vender já é lucro, porque entre ficar no barraco da favela se lamentando e sair por aí para negociar alguns produtos de segunda que podem lhe render um quilo de batatas, um pacote de arroz ou umas patas e pescoco de frango para fazer uma sopa pros moleques, prefere a segunda opcao... Porque ir à luta nunca é inútil.

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